Sumido, mas…

Sim, é verdade, estou sumido, mas só porque estou trabalhando demais.

Neste ano terminei uma pós-graduação em Roteiro Audiovisual (Eita TCC difícil!) e comecei a escrever dois livros ao mesmo tempo, além de ter pintado uma série de trabalhos freela em designer. E claro, tem as filhas, a família e as contas para pagar. Tente escrever com uma menininha toda doce te chamando para brincar de aviãozinho. Você larga até uma taça de sorvete com calda de chocolate e vai lá fazer “vuuuummmm!!!”.

Sobre a continuação do Nicolas e lançamentos de mais livros, estou, digamos, reestruturando minha vida literária, procurando novos caminhos sem fechar portas. Um dos meus objetivos é viver das histórias que escrevo, tarefa dificílima de cumprir, mas vamos que vamos que o caminho tá aberto e atrás vem gente.

Um abraço a todos!


Desastre

Editora Leya

Ultimamente sou seleto ao comprar um livro. Para tê-lo, preciso ler uma resenha antes, ouvir opiniões e até mesmo estudar o autor. Só depois de um rigoroso filtro, o livro vai parar na minha estante de “para ler”. Há autores, no entanto, que dispensam filtros. Harlan Coeben, Tess Gerritsen, Carlos Ruiz Zafón e Dan Brown vão da pré-venda para minhas mãos sem que eu sequer saiba qual é a história.

Mas, às vezes, arrisco e compro um livro desconhecido sem os filtros. Grandes livros foram descobertos assim. Comprei A Sombra do Vento sem ler uma única opinião na Internet; assim como O Nome do Vento. Infelizmente de cinco livros comprados por impulso, quatro se mostram uma porcaria.

Não foi o caso de Desastre.

A orelha não faz jus ao tanto que o livro é bom. Eu tinha acabado de ler Os Magos (resenha logo abaixo) e peguei o livro porque ele é fininho. Seria o intervalo entre um ótimo livro e outro ótimo livro. Mas que intervalo! Desastre é mágico! Foi parar na parte da estante em que ficam os livros “Caramba! Que dez!”.

Difícil é explicar a história. Imagine que todas as qualidades, defeitos, pecados, características humanas fossem deuses. Sorte, Morte, Gula, Paixão, Destino, Fado, Carma, Raiva, Inveja, Boato… ufa! A lista é imensa! Pois bem, imagine que cada uma destas características fosse alguém que você vê na rua. Por exemplo: a Gula é um sujeito gordinho; a Vaidade, uma mulher esbelta e de roupas de grife; a Morte, um hipocondríaco de cabelos brancos e com luvas de borracha. Todos imortais e poderosos. Todos interferindo e moldado os rumos da humanidade.

Você acompanha o Fado, melhor, Fábio, seu nome mortal. Ele é o responsável por vigiar os rumos da maioria dos humanos que não terão lá um futuro brilhante (aqueles que possuem um bom futuro são seguidos por Destino, uma ninfomaníaca que se veste de vermelho e que transa com Fábio de tempos em tempos). Fábio não gosta muito de sua função, afinal os “seus” humanos só fazem besteira. Em um belo dia, ele conhece uma mortal chamada Sara, que está na Trilha de Destino, portanto ele não pode ver o futuro dela. Fábio se apaixona por ela, e é aí que o livro vai do hilário para o excepcional.

Nunca li um autor retratar de maneira tão crua, verdadeira e bem humorada (por vezes muito triste) a humanidade. É quase um tapa na nossa cara que, por sinal, nos faz rir. A obra de S. G. Browne é um achado filosófico, sociológico e muito bem escrito. Deveria ser obrigatório em cursos de sociologia e psicologia.

Opa! Falando assim, você pensará que se trata de um livro didático. Não é. Desastre é uma mistura muito bem feita de Neil Gaiman, O Guia do Mochileiro das Galáxias com (um pouco) de Percy Jackson. E o final… nossa! Surpreendente!

Leia o livro. Você irá chorar, rir e se emocionar. Só mesmo aos olhos de imortais para descobrirmos como somos patéticos, frágeis e, em contrapartida, seres encantadores.


Os Magos

Editora Amarilys

Acabei de ler Os Magos, de Lev Grossman.

O livro é dito como o Harry Potter para adultos. Em partes está certo. Tem uma escola de magia e você acompanha a vida de um dos alunos nos cinco anos de estudo. Há professores excêntricos, feitiços de nomes pomposos, casas diferentes para grupos de alunos e por aí vai. A única diferença é que da primeira à última frase nada no livro lembra Harry Potter. Nada.

Confundi?  Lev pegou Harry Potter e Nárnia (sim, com ovelhas falantes e tudo mais), bateu no liquidificador com uísque, pimenta e almíscar e usou o caldo para criar um livro extremamente original e adulto. Os Magos conta a história de Quentin Coldwater, um adolescente nerd e depressivo, convidado a ingressar em uma faculdade secreta de magia, a misteriosa Brakebills. Até aí, nada de original, mas retire as aventuras em passagens secretas e pistas em salões antigos e coloque angústias juvenis reais. Em vez de lobos gigantes de três cabeças, Quentin descobre no sótão da faculdade o amigo homossexual transando com um colega. No lugar de um Snape, você tem um professor banido da faculdade por ter dormido com uma das alunas e causado, não intencionalmente, o suicídio de outro aluno. E em vez de Grifinória, você é apresentado aos “Caras da Física”, um clubinho de alunos que passam horas bebendo vinho e transando entre si.

Sim, este é o nível. Apesar de dividido em quatro partes, o livro possui uma divisão muito clara: na primeira parte, os cinco anos de estudo (nada de um livro para cada ano); e na segunda, a aventura salgada, o amadurecimento e as dores da vida de um mago pós-formado. Quentin é um personagem único e maravilhoso, cheio de defeitos e idiossincrasias aparentes. Covarde, teimoso e depressivo. Raro alguém assim ser tão apaixonante. Quentin, te adoro, mas jamais seríamos amigos.

De certa maneira, o livro me fez sentir o mesmo de quando assisti aos filmes oitentistas O Clube dos Cinco e Conte Comigo. Pelo menos fiquei com o mesmo gosto amargo na boca, remoendo as cenas na cabeça que, de tão reais, chegam a angustiar. Isso de longe não quer dizer que o livro é ruim, ao contrário, é excepcional!  Mas deve ser lido por quem já passou pela juventude. Difícil um garoto de doze ou treze anos “sentir” o que Quentin passa.

O forte do livro é a jornada de formação do protagonista, mas tem muita aventura e ação, surpresas, suspense e mistério a resolver. Inclusive as cenas de batalha foram mais elaboradas do que as da magistral J. K. Rowling.

Duas ressalvas: uma para o tradutor, outra para o autor. Tradutor, não sei se foi erro teu ou do autor, mas a quantidade de “ele” e “ela” nos parágrafos chega a soluçar meus olhos. Autor, não entendi porque em terceira pessoa. O livro parece ter sido feito em primeira e mudado para terceira em alguma revisão. É só uma opinião, mas algumas frases brilhariam mais em primeira pessoa.


O Nome do Vento

Capa - Victor Burton

Eu tenho uma lista dos dez melhores livros que já li. São as histórias mais incríveis, escritas à maestria e que me fizeram colar os olhos nas páginas. Não há uma ordem definida, dependendo do meu humor, um livro pode superar o outro. Os títulos são:

Anjos e Demônios
Caçador de Pipas
A Sombra do Vento
O Jogo do Anjo
A Menina que Roubava Livros
A Guerra dos Tronos
Sua Resposta Vale um Bilhão
Feliz Ano Velho
O Nome do Vento
A Promessa

Destes dez mais, há apenas uma constante na lista. Perdoe-me Dan Brown, perdoe-me Carlos Ruiz Zafón, perdoe-me Marcelo Rubens Paiva, mas o número um dentre os maiores é “O Nome do Vento”. Isso mesmo, este é o melhor livro que já li até hoje. Resenhá-lo seria impossível, afinal não há em nossa língua tantos adjetivos quanto o necessário. Ele é per-fei-to, é isso; dizer mais seria redundante. Kote é o melhor personagem que existe; sua aventura, a mais empolgante; e o mundo em que vive, maravilhoso.
Para te falar a verdade, não sei o que me conquistou na história. Acho que tudo, a maneira que foi escrito, as frases deliciosas, a história… Há escritores melhores do que Patrick Rothfuss, reconheço. Cito Gabriel Garcia Márquez e George R. R. Martin como exemplos. Há histórias mais empolgantes, como as de Dan Brown e Harlan Coeben. Há gênios mais dedicados, como Carlos Ruiz Zafón e Markus Zusak. Mas Patrick foi possuído por uma divindade que lhe obrigou a escrever uma história perfeita, na medida certa, sem erros, excessos ou faltas.
A história é sobre o dono de uma hospedaria que foi o homem mais perigoso de seu mundo, um matador de reis poderoso cujos feitos se tornaram lendários. Quando um cronista descobre a verdade por trás do dono da hospedaria, insiste em saber sua história. Kote o avisa de que sua vida é tão rica, cheia de aventuras e complexa que levará três dias inteiros para contá-la. O Nome do Vento refere-se ao primeiro dia. Sim, é uma trilogia, e só o primeiro volume já me conquistou por inteiro.
Personagens complexos e fascinantes, trama muito bem construída, ação, drama e aventura nas medidas corretas. Se você adora Harry Potter e deseja ver um mago muito casca de ferida que daria uma surra no Voldemort; se você ama as Crônicas de Gelo e Fogo e suas intrigas, traições e batalhas; se você quer “ver” uma história rica enquanto passeia em frases bem construídas. PELO AMOR DE DEUS, LEIA ESTE LIVRO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Alice é uma Maravilha

Li a pouco estas duas frases saídas do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol. Certos textos ou frases são tão perfeitos que não precisam de maiores comentários:

“A única forma de chegar ao impossível, é acreditar que é possível.”

“Nada se é conquistado com lágrimas.”

Ah, “pesquei” esses trechos em um site muito bom chamado pensador.info:
pensador.uol.com.br


Bienal do Rio

Passagem? Paga (descontão da TAM).

Hotel? Pago (sem desconto, uma facada).

Mapa do evento? Na mão.

Lista dos livros que quero comprar lá? Em duas folhas A4 (frente e verso).

Caneta para autografar A Grande Criação de Nicolas? No bolso.

Carregador de celular para ligar para a esposa de hora em hora? Na mala.

E os dias que farei tudo isso? Nove e dez de Setembro, no estande da Usina de Letras!!!!!